​Hora da verdade: o bem e o mal

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É na hora da crise que as pessoas se revelam: dá para ver quem é bom, quem é mau, quem é ótimo. Bom é o pessoal da Lupo, famosa por suas meias. A fábrica estava parada – mas seus donos arranjaram tudo para manter boa distância entre os operários chamados a trabalhar, desenvolveram a máscara de proteção e estão trabalhando, por enquanto abastecendo as unidades de saúde da região de Araraquara. Maus são altos funcionários do setor público, que recebem ótimos salários, multiplicam-nos com penduricalhos e não desistem de um único centavo para a luta contra o coronavírus. Mantêm carros, jatinhos, todas as mordomias, e garantiram uns aos outros que na verba deles não se mexe. Bons são os empresários (190, até agora) que assinaram manifesto se comprometendo a não demitir até maio e pedindo que, além disso, o empresariado faça doações para a sobrevivência de pessoas como manicures, vendedores de lanches e outros que não têm como pagar as contas. Entre as empresas que assumiram este compromisso, estão Magazine Luiza, Renner, BTG, Natura, Boticário, XP. Itaú, Bradesco e Santander estão no grupo (mas mostram seu lado mau mantendo os juros no alto). E, dizem os empresários, demitir é mau negócio, custa caro. Pior, ao demitir ajudam a perpetuar a crise que lhes dá prejuízo.

Ótimos são médicos e enfermeiros que, mesmo aposentados, voltaram à ativa e enfrentam o risco do vírus lutando para salvar vidas. Sejam louvados.

Bom exemplo

Ótima é a dra. Andrezza S. Guedes - CRM 145443, Instituto Salute de Medicina Integral, tel. (19) 9 8447-8089. Ela se propôs a orientar moradores de um condomínio de Vinhedo, SP, sobre a necessidade de ir ou não a postos de saúde ou hospitais. Por telefone, avalia situações de doenças diversas. Se a pessoa toma regularmente remédios que necessitam de receita e não tem agora como pedi-la a seu médico, ela faz o contato e dá a receita. Atende por fone, WhatsApp, orienta sobre medidas preventivas e cuidados gerais. Seu objetivo é desafogar ao máximo as unidades de saúde, para que seus colegas tenham mais tranquilidade no atendimento. Que bom exemplo de médica dedicada à saúde! Fez o juramento, e o cumpre. Ela autorizou a divulgação de seu nome e celular. Quem precisar, que a procure, more onde morar. Que outros profissionais sigam este exemplo: sempre é possível ajudar os outros.

Mau exemplo

Talvez Suas Excelências não tenham percebido. Mas, se perceberam, que maldade! Desempregados que buscam emprego há mais de um ano, mas que tinham emprego no longínquo 2018, não têm acesso aos R$ 600,00 (que um dia, cremos, será pago aos que têm melhor sorte). A lei foi aprovada assim e Bolsonaro não vetou essa parte. Quem ganhou R$ 28.559,71 em 2018 (pouco mais de R$ 2 mil mensais) também fica fora, mesmo estando desempregado há mais de um ano. Os parlamentares não se preocuparam. Nem Bolsonaro.

Chose de loque

E Bolsonaro? O caro leitor decide se é bom ou mau. Em conversa com pastores, que foram pedir-lhe uma linha de crédito para igrejas, disse que o coronavírus “não é tudo isso que estão pintando”. Motivo: “o Brasil tem uma temperatura diferente”. Garantiu que não sabe de hospital algum lotado (São Paulo construiu dois hospitais de campanha para ampliar as vagas), desafiou os governadores a ir a Ceilândia e Taguatinga, perto de Brasília, “no meio do povo”. Completou: “Tá com medinho de pegar vírus?” Bom ou mau?

A saúde e a política

Bolsonaro prometeu não demitir o ministro Mandetta no meio da guerra. De que guerra fala? Da guerra ao coronavírus, na qual adota comportamento contrário ao recomendado pelo Ministério da Saúde? Guerra pela reeleição?

O presidente disse que o ministro sabe que ambos “não estão se bicando”. Mas levou uma pancada forte: Rosângela, esposa do ministro Sérgio Moro, apoiou Mandetta publicamente. “Entre a ciência e o achismo, eu fico com a ciência (...) Mandetta tem sido o médico de todos nós e minhas saudações são para ele”. Ambos, Moro e Mandetta, estão com popularidade superior à dele. É possível que Bolsonaro tema que decidam disputar 2022 contra ele.

Eleição, se houver

Marta Suplicy (sem partido), entrou no Solidariedade, de Paulinho da Força. O PT a convidou, mas ela preferiu outro partido para ser indicada, em aliança, para a vice do candidato petista à Prefeitura paulistana – se houver eleição neste ano. Marta gostaria de ser vice de Haddad, que foi subsecretário de Finanças em sua administração. Marta foi uma boa prefeita, criou em São Paulo os CEUs, escolas públicas de tempo integral e alta qualidade, lançou o Bilhete Único de Ônibus. Haddad foi o responsável por um apelido que a marcou: “Martaxa”. Ele vivia tendo ideias a respeito de novas taxas e impostos, e a prefeita, que aceitou suas ideias, levou a culpa de tudo.

Mas há um problema para a formação da chapa Haddad-Marta. Ele não quer ser candidato à Prefeitura. Lula acha que pode convencê-lo.

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​Exterminadores do futuro

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Discutir o que é mais importante, a vida ou os empregos, é ridículo. Ambos são importantes. É preciso sobreviver ao vírus, mas que não seja para morrer de fome em seguida. As eleições de 2022 podem ser discutidas em 2022. Agora temos de tratar conjuntamente de Saúde, Alimentação, Emprego; e da saúde econômica do país. Nessa ordem. Já deveríamos ter um comitê de crise amplo, apartidário, comandado talvez por alguém capaz de organizar as coisas, cuidando de harmonizar soluções para todos esses problemas. A China fez isso: no meio da crise, deu um jeito de garantir a comida da população (veja o ótimo texto de Jamil Chade, UOL, dia 30). Não há quarentena que resista à fome. É preciso providenciar comida para suprir a falta da merenda escolar, que, para muitas crianças, é a principal refeição do dia. Comida, sim; e que deve ser entregue a domicílio, em quantidade que permita alimentar também pais e irmãos, privados das refeições servidas no emprego. E de graça – como é a merenda. É preciso, também, enviar dinheiro aos desempregados. As contas de gás e luz subiram com a quarentena. A Bolsa Família deve ter um bom cadastro, a ser complementado.  Cuidar das empresas, como já se faz, embora timidamente, é essencial. Mas está na hora de pensar melhor no Imposto de Renda Negativo (a Renda Mínima de Eduardo Suplicy) para garantir o básico a todos os cidadãos. Paulo Guedes entende disso: a tese é de seu mestre Milton Friedman, da Escola de Chicago.

Onde está o dinheiro?

Onde está o dinheiro que o caro leitor não tem, na hora de uma emergência médica? Está nos empréstimos – sim, são saques sobre o futuro, por um objetivo essencial. O mesmo comitê de crise deve preparar o país para uma nova fase da economia, com reformas que reduzam custos e simplifiquem nossa vida, há economias a fazer, para dar o exemplo. Precisamos de vices, quando o presidente da Câmara pode assumir? No Brasil há quase seis mil vices. Precisamos de três senadores por Estado, quando os EUA têm dois? Por que 513 deputados não podem virar 250? Cada deputado precisa mesmo de carro oficial, com motorista e combustível? No Judiciário não há despesas a cortar? Por que um sistema tributário que exige milhares de horas de trabalho para declarar impostos? Dá para aceitar que os bancos aumentem os juros entre 50% e 70% numa hora como essa? Se o grupo de farmácias Raia/Drogasil pôde rejeitar o aumento dos remédios, que já estava aprovado, por que os bancos, mais ricos, não podem ajudar? E, convenhamos, O ministro da Economia não pode deixar Brasília, no meio de uma crise, porque o hotel em que se hospeda não lhe serve mais suquinho.

Os exemplos

Para que o Governo precisa gastar em anúncios? Tem algum concorrente? Por que um parlamentar tem verba de divulgação do mandato? Cada um que use as redes sociais à disposição, de graça. O país está estruturado como se o dinheiro fosse infinito. Não é – e na hora em que é preciso gastar, como agora, faltam verbas. Que se façam, então, os empréstimos, que alguns bilhões de dólares das reservas sejam vendidos, que o bilionário Fundo Partidário vá para o SUS, que sumam os penduricalhos que o Tesouro paga, mas que os cidadãos possam evitar o vírus sem passar fome em casa.

O que se faz

Quando houve sintonia entre ministros, parlamentares e sociedade civil, fez-se alguma coisa. Dia 27, o Governo lançou programa de R$ 40 bilhões, com recursos do Tesouro, para financiar salários e garantir empregos em pequenas e médias empresas. Está pronta a concessão de R$ 600 por mês a trabalhadores informais, que de repente ficaram privados de qualquer renda. Só falta Bolsonaro assinar para que entre em vigor. O Governo anuncia uma proposta (ainda sem detalhes) para garantir seguro-desemprego – total, no caso de perda do emprego; proporcional, por redução de jornada e de salário. Há a antecipação do 13º em duas parcelas, agora. Convenhamos, é pouco.

Luta de irmãos

Os irmãos Nasser, Jamel e Adiel Fares, que controlam a gigante do varejo Marabraz, venceram a primeira batalha na Junta Comercial de São Paulo, Jucesp: num prazo de 30 dias, deverão regularizar a empresa LP, administradora do grupo, e incluir nos papéis da empresa o registro da entrada e saída de seu irmão Fábio, que lhes move processo. A Procuradoria da Jucesp afirmou não ter visto má fé de nenhuma das partes na omissão do registro. A advogada de um dos filhos de Fábio, Lilia Frankenthal, recorreu para comprovar a má fé, usando decisões do Tribunal Regional Federal 3. A Presidência da Jucesp chamou as decisões do TRF3 de “calhamaço”. Lilia Frankenthal disse que não daria entrevista e só se manifestaria nos autos. Os irmãos Jamel, Adiel e Nasser são defendidos pela advogada Amanda Caspaciutti, da Mazloum Advogados Associados; e, em outro processo, movido por Suhaila, ex-esposa de Fábio Fares, pela Pollet Advogados.

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​Pode parar? Faz tempo que parou

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A propaganda do Governo Federal diz que o Brasil não pode parar. Mas, onde deveria estar andando, já que não depende de quarentena, não anda. O Estado de S. Paulo levantou os dados e mostra que 64% dos recursos que o Governo Federal anunciou para combater a pandemia são apenas anúncios. Em muitos casos, o Governo nem enviou as medidas ao Congresso. Em outros, sem articulação, não conseguiu encaminhar a votação.

Dos R$ 308,9 bilhões prometidos, R$ 197,5 bilhões são só da boca para fora. Não estão em nenhuma proposta. O que foi feito é o que ajuda empresas: flexibilização de normas trabalhistas, crédito, adiamento de tributos. Medidas de proteção às famílias de baixa renda não existem de fato. São pura fantasia. Houve também auxílio a Estados e municípios. A única medida de auxílio à baixa renda foi iniciativa do Congresso: um vale mensal temporário de R$ 600,00 a trabalhadores informais. O Governo tinha falado em R$ 200,00 - só falado. O Congresso aprovou R$ 500,00 e, com base numa frase de Bolsonaro, de que R$ 600,00 seriam aceitáveis, ampliou o vale.

E o superministro Paulo Guedes, do superministério da Economia, saiu de Brasília (o serviço do hotel estava ruim, explicou) e foi para sua casa no Rio, onde, segundo disse, trabalha o tempo inteiro, em ligação total com sua equipe (a que deveria redigir os projetos). Mas ninguém é de ferro: na quinta, às 17h30, Sua Excelência foi fotografado passeando na orla marítima.

Projetos em quarentena

Lembra do repasse do PIS/Pasep para o FGTS, para permitir novos saques no Fundo? São R$ 21,5 bilhões. Como o Governo não conseguiu decidir quem será contemplado, não enviou a medida.

A redução à metade, por três meses, da alíquota dos impostos do Sistema S, algo como R$ 2,2 bilhões, foi anunciada há uns 15 dias e não foi proposta.

A antecipação do calendário do abono, R$ 12,8 bilhões, não saiu.

Os R$ 36 bilhões, parcela do seguro-desemprego de quem sofrer redução de jornada e salário ou suspensão de contrato; o envio de R$ 4,5 bilhões do DPVAT (o seguro que se paga com os impostos do carro) para o SUS; o repasse de R$ 8 bilhões e o envio de R$ 2,3 bilhões do Censo para fundos estaduais e municipais de Saúde; os R$ 16 bilhões em quatro meses para Estados e municípios, compensando perdas de receita; os R$ 2 bilhões para assistência social. Nada disso se transformou até agora em projeto.

Ação parlamentar

Surpresa das surpresas, quem compensa parte da inatividade do Executivo é o Congresso. Os R$ 600,00 para trabalhadores sem carteira, a antecipação de R$ 300,00 para quem espera o Benefício de Prestação Continuada (BPC), suspensão de dívida de Estados e municípios com bancos públicos e a União, novas operações de crédito, renegociação de dívidas, todas as medidas foram incorporadas pelos parlamentares a projetos já em tramitação e por isso conseguem andar. Se dependessem do superministro, quando andariam?

Voltando alguns dias

A história do teste para coronavírus do presidente Bolsonaro continua sem explicação. Seu filho, Eduardo, aquele que fritava hambúrgueres numa lanchonete que não servia hambúrgueres, foi citado pela Fox News como fonte da informação de que o presidente tinha testado positivo. Se o repórter tivesse inventado a notícia, por que citaria Eduardo como fonte? Só para ser desmentido? E numa rede totalmente favorável a Trump, logo simpática a Bolsonaro? Não, não deve ter inventado nada, não.

E por que o desmentido? Talvez porque o presidente cultive a imagem de Superman, o mito que sobreviveu a uma facada, que tem passado de atleta, que não é vulnerável a doenças e para quem o coronavírus provocaria só

“uma gripinha”. A propósito, por que o Hospital das Forças Armadas revelou o nome de todos os contaminados na viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos, menos dois? Seria essa revelação a kriptonita do Superman?

Se Bolsonaro tivesse testado positivo e mentido, não seria problema – aqui, espera-se que político minta mesmo. Mas juntar-se a seus fãs, tocando-os, fazendo selfies, isso seria grave. Claro que, se o teste foi mesmo negativo, esse raciocínio é vão. Mas quem seriam as pessoas contaminadas que, para o Hospital das Forças Armadas, merecem o sigilo que os outros não tiveram?

Apoio total

O engenheiro Lucio Ravizza, assíduo leitor desta coluna, pede apoio ao projeto 646/2020, que transfere para o SUS o bilionário fundo de campanha eleitoral deste ano – são R$ 2 bilhões, ou mais. “O projeto deve ser aprovado em regime de urgência. E sugiro que se adiem para 2021 as eleições municipais. Que todos o dinheiro para realizá-las seja destinado a combater o coronavírus. Podemos suportar mais um ano dos atuais prefeitos e vereadores, mesmo porque não creio que, trocando algum dos atuais, teremos melhoras”. Em vez de pagar campanhas, dinheiro para a Saúde!

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​Vírus perde, vírus ganha

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O presidente americano Donald Trump informou que, após 15 dias de quarentena, o país vai se abrir e a população voltar a trabalhar. “Não estou pensando em meses”, disse Trump. “Nosso país não foi erguido para fechar. Logo estará aberto aos negócios. Se perguntarmos aos médicos, eles fecharão tudo, o mundo inteiro, e isso pode criar um problema maior que o de hoje”. Trump disse que a baixa letalidade do coronavírus, a seu ver, que seria de um terço da prevista, influenciou sua decisão. Enfim, ir em frente antes mesmo que haja um decréscimo significativo na força da pandemia.

Horas antes da declaração de Trump, a porta-voz da Organização Mundial da Saúde, Margaret Harris, disse que 85% de todos os novos casos surgem nos Estados Unidos e na Europa, e que “rapidamente a situação americana está se deteriorando, com 40% de todos os novos casos”. Para a OMS, os EUA podem se transformar no novo centro da pandemia no mundo. “Há um surto enorme e está aumentando”, completou. “Estamos vendo uma progressão muito rápida no número de casos dos Estados Unidos”.

Enfim, os EUA estão à beira da normalização, como sugere Trump, ou de enorme avanço do coronavírus? A OMS tem os números; e Trump, como presidente, provavelmente tem conhecimento de fatos ainda desconhecidos por nós. Foi ele que antecipou o uso de um remédio contra a malária para o coronavírus, e o remédio está sendo testado. É torcer, rezar, aguardar.

O vai-vem

Preocupado com o vai-vem do presidente Bolsonaro, que culminou com a edição de medida provisória que permite zerar salários por quatro meses e sua retirada logo em seguida? Continue a preocupar-se: Bolsonaro está cada vez mais voltado para sua candidatura à reeleição, oscilando de acordo com as pesquisas e as redes sociais. E sabe que seu desempenho no caso atual não foi bem aceito: Mandetta, o ministro da Saúde, tem maior aprovação que os governadores, e os governadores vão melhor que o próprio Bolsonaro. Pela análise das pesquisas Ibope e Datafolha, que saíram nesta semana, o presidente continua forte mas se restringe a pouco mais de um terço do eleitorado. É uma parcela considerável, mas bem menor do que já foi.

Os números

No caso coronavírus (pesquisa do Datafolha), a atuação de Bolsonaro é aprovada por 35% e reprovada por 33%. Os governadores tiveram 54% de ótimo e bom, em média. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, teve 55%. A participação de Bolsonaro no ato do dia 15 foi rejeitada por 68%.

O fato

Bolsonaro chamou a pandemia de “gripinha”, rompeu a quarentena para abraçar participantes da passeata do dia 15, mas o ministro Mandetta não mudou de posição: manteve-se firme na tese da quarentena. E, ignorando o ódio presidencial a alguns governadores, é com eles e com o Congresso que vem articulando a estrutura da saúde pública para enfrentar o pico da doença. Mandetta e Bolsonaro são amigos há muitos anos, mas há quem aposte que os elogios públicos ao trabalho do ministro foram o fim de uma bela amizade.

Eleições

O senador paulista Major Olímpio estuda a apresentação de uma proposta de emenda constitucional para suspender as eleições municipais deste ano e realizá-las em conjunto com as eleições de 2022. Desta forma, haveria, de quatro em quatro anos, eleições gerais para todos os cargos, do Executivo e Legislativo. A causa próxima seria a dificuldade de realizar as eleições deste ano, devido à pandemia. E há, desde sempre, grupos favoráveis a realizar eleições em conjunto, por economia e para evitar que o país pense o tempo todo em termos eleitorais. Há ainda quem pense em fazer a eleição neste ano, por mais difícil que seja organizá-la (por exemplo, Rodrigo Maia), ou adiá-la para o ano que vem. De qualquer forma, é complicado mexer no tema: é necessária a emenda constitucional, deve-se decidir quem ocupa o cargo a partir do fim do mandato dos atuais prefeitos e vereadores – ou, o que pode provocar longa discussão constitucional, a prorrogação dos mandatos. Mas o tema está em discussão. E tem logo de ser resolvido. Outubro está aí.

Boa isca

Um dos argumentos mais fortes que o pessoal da unificação eleitoral deve usar é, além da dificuldade de organizar a votação deste ano, a possibilidade de utilizar os R$ 2 bilhões que seriam gastos nas campanhas, mais o custo da eleição, e entregar tudo à Saúde, para a luta contra os coronavírus.

Jon-Y-Saad

A história de que a Rede Bandeirantes tem sócio chinês é besteira. Tem parceria de conteúdo com uma TV chinesa (e também com a TV do New York Times). Para quem gosta de fofocas falsas, mais uma: Lula teria ido visitar o papa para pegar dinheiro no Banco do Vaticano e comprar a Bandeirantes, para enfrentar os evangélicos, hoje com Bolsonaro. Que tal?

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​Acredite, aqui há boas notícias

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Boas notícias? Até mais: algumas notícias serão ótimas. Outras ainda dependem de mais estudos, mas o caminho é bom. Abaixo o coronavírus!

*A China fechou o último hospital de coronavírus em Wuhan, o berço da epidemia. Não há novos casos suficientes para justificar um hospital.

*A França estuda o uso de hidroxicloroquina, remédio usado desde 1940 para malária e artrite reumatoide. Um grupo recebeu só o medicamento; outro, a hidroxicloroquina associada a um antibiótico, azitromicina; o terceiro, tratamento convencional. A hidrocloroquina reduziu bem a carga de vírus; associada à azitromicina, curou 70% dos doentes em seis dias. O grupo que foi tratado convencionalmente teve 12,5% de curas. O sucesso estimulou o presidente americano Donald Trump, que  quer acelerar a aprovação de seu uso, mas a FDA, que cuida de medicamentos, pede mais testes clínicos. Trump já chegou a proclamar o sucesso do tratamento na TV americana.

*Na Índia, bons resultados no tratamento com Lopinavir, Oseltamivir e Retonovir associados à Clorfenamina. Os indianos sugerem à Organização Mundial da Saúde o uso internacional dessa combinação de medicamentos.

*A China relata o caso de uma senhora de 103 anos que se curou após um tratamento de seis dias em Wuhan.

Há pesquisas bem encaminhadas no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Israel. Diz a OMS que 41 grupos tentam criar vacinas contra o coronavírus.

Otimismo

A Apple, empresa com maior valor de mercado do mundo, reabriu suas 42 lojas na China. Hoje, há menos doentes na China do que na Itália.

Enfim!

A Cleveland Clinic americana criou um teste que dá resposta em horas, não em dias. O teste deve estar no Brasil em pouco tempo.

O próximo passo

Mesmo que novos remédios cheguem logo ao mercado e o coronavírus seja esquecido, a pandemia já desorganizou a economia do país. Empresas pararam de funcionar e faturar e continuam a pagar aluguel, impostos, juros, contribuições, taxas. Se reabrirem nesta semana, mesmo assim terão a sobrecarga do período triste. A Associação Comercial de São Paulo, que apoiou o fechamento do comércio, pede que as autoridades estejam à altura do momento. “É importante a mobilização das esferas governamentais na redução dos riscos ocasionados pela pandemia”, diz o presidente da entidade, Alfredo Cotait Neto. “São necessárias medidas rápidas para que os empresários possam adiar o pagamento de impostos. As empresas podem não aguentar uma paralisação tão longa”. Imagine uma empresa aérea: paga o aluguel dos aviões, os salários, e teve de cortar vários países para onde voava. Paga também aluguel (e alto) para deixar os aviões parados nos aeroportos. Se as empresas fecharem, quem irá contratar funcionários?

Impeachment a la carte

Não se preocupe com o pedido de impeachment que o deputado federal Alexandre Frota apresentou ao Congresso. Foi feito às pressas, não com o objetivo de derrubar o presidente Bolsonaro: sua função é outra, de estar à disposição para, se necessário, ser tirado das gavetas e votado. Impeachment precisa ter elementos jurídicos que o amparem, mas só sai se houver força política por trás. Neste momento, embora já existam adversários que querem ver Bolsonaro pelas costas, não há qualquer possibilidade de afastá-lo. Isso pode mudar – os panelaços já mostram que há oposição fora do PT e partidos satélites. Mas os próprios panelaços estão longe daqueles contra Dilma.

Panelaço

Há gente bloqueada em casa, preocupada com o emprego, as contas, tudo; com medo do coronavírus; cansada do computador e da TV. Vem então um panelaço contra Bolsonaro: por que não? No mínimo rompe a monotonia. Mas é importante lembrar que alguém favorável ao presidente não irá bater panelas contra ele. Quem bate panelas está irritado também com ele. E pode despertar, dentro do bolsonarismo, alguém que se julgue apto a substituí-lo. Já não existe quem queira Sérgio Moro candidato, em vez de Bolsonaro?

É isso aí

Cinco deputados federais tomaram uma bela iniciativa: propuseram um projeto de lei (o PL 646/2020) autorizando o uso de parte dos R$ 2 bilhões de dinheiro público destinados a pagar a campanha eleitoral no combate ao coronavírus. O projeto autoriza o uso de recursos do Fundo Partidário para o mesmo objetivo. É ótimo – até para evitar que o caro leitor não apenas pague a campanha de gente mais rica do que ele como financie a eleição de pessoas com pensamento e comportamento contrários aos seus. Os parlamentares que tiveram a boa iniciativa são Felipe Rigoni (PSB), Vinícius Poit (Novo), João Henrique Caldas (PSB), Paulo Ganime (Novo), Rodrigo Coelho (PSB). Guarde esses nomes: só por apresentar este projeto, já merecem ser votados.

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Combate na luz e nas trevas

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De um lado, um combate no escuro, contra um inimigo invisível, que se abriga também em nossos melhores amigos, e os usa para atacar-nos. Guerra difícil, especialmente porque o encarregado de comandá-la faz questão de ignorar o que se sabe sobre o inimigo e de se expor a ele. De outro, uma guerra aberta, em que criminosos do grupo Primeiro Comando da Capital, presos em diversas prisões paulistas, supostamente sem comunicação, conseguiram coordenar uma fuga em massa. O que dizem é que o principal líder do PCC, Marcola, preso em Brasília, em penitenciária de segurança máxima, deu a ordem. E o “salve” – nome que os bandidos dão às instruções que recebem – é para que matem, assaltem, façam o que quiserem.

Não, não bastava o coronavírus. Cerca de 400 presidiários integrantes do PCC conseguiram fugir de quatro prisões. Consta que 200 foram capturados. Os outros estão nas ruas. Para eles, matar policiais é motivo de orgulho. Até chegam a tatuar um palhaço no corpo, como sinal de que mataram policiais.

É uma fase sombria, com riscos múltiplos. O que se ouve dizer – tomara que seja falso – é que o objetivo é gerar tanta tensão que as autoridades sejam obrigadas a reduzir as restrições impostas aos chefões do crime organizado. E, lembremos, o clima já é tenso, devido ao coronavírus, mas não apenas a isso: os policiais ganham mal, não têm coletes à prova de bala suficientes, seu armamento é inferior ao dos bandidos. Sérgio Moro terá alguma ideia?

 Cansado de palpites?

As informações sobre o coronavírus variam: há quem recomende tomar água quente com fatias de limão, há quem negue sumariamente a existência da pandemia (um cavalheiro, na manifestação da avenida Paulista, gritava que coronavírus era uma invenção para desmobilizar os manifestantes). Há os conselhos da moça que estudou na universidade de Wuhan, na China. E há uma fonte precisa, séria, elaborada por cientistas e distribuída pelo SUS. Tudo o que se sabe está nesse aplicativo. É só clicar o link. Para IOS:

https://apps.apple.com/br/app/coronav%C3%ADrussus/id1408008382

Para Android:

https://play.google.com/store/apps/details?id=br.gov.datasus.guardioes

 Mas é Carnaval 1

Boa parte da comitiva que acompanhou Bolsonaro aos Estados Unidos está com coronavírus. Ele, em vez de cumprir quarentena, saiu do Palácio para confraternizar com os manifestantes, no domingo. Abraçou-os, apertou mãos, tirou selfies, tudo aquilo que não deveria fazer para proteger sua saúde e para evitar contaminar algum de seus adeptos. Foi criticado pesadamente por isso, mas não deu a menor bola para a saúde dos outros.

 Mas é Carnaval 2

Muitas das Excelências que o criticaram por ir a uma manifestação quando o que se requer é o mínimo de contato entre as pessoas – como os governadores Doria, Witzel, Ibaneis, e o presidente do Supremo, Toffoli – foram a uma festa em ambiente fechado para 1.300 convidados, lançamento da CNN Brasil. Todos arriscaram a saúde, mas sabe como é: vão desagradar quem dá notícias? Como diz a marchinha, aquele cordão cada vez aumenta mais.

 Dias de Momo

O SBT comunicou a suspensão das gravações de A Praça é Nossa, por causa do coronavírus. E talvez porque outros comediantes estejam ocupando indevidamente um lugar no picadeiro.

 Cuidar de doentes? Para que?

Neste março faz um ano que a terapia VNS para epilepsia deveria estar sendo oferecida  pelo SUS. Um decreto do Ministério da Saúde, de setembro de 2018, mandava incluir a terapia VNS no SUS no prazo de até seis meses – que venceu em março de 2019. Em março de 2020, os pacientes com epilepsia resistente a medicamentos ainda aguardam. ‘O Ministério da Saúde”, diz Maria Alice Susemihl, presidente da Associação Brasileira de Epilepsia, “não cumpre suas próprias determinações”.

 Devolvendo!

A defesa do ex-governador fluminense Sérgio Cabral entregou à Polícia Federal 27 joias que ele deixara escondidas com pessoas próximas. Cabral já tinha perdido um anel de R$ 800 mil, que lhe fora dado por um empreiteiro para que ele presenteasse a esposa, Adriana Ancelmo. Agora, a joia mais valiosa é um brinco de turmalina paraíba com brilhantes, que custou R$ 612 mil. A entrega das joias faz parte do acordo de delação premiada de Cabral. Coincide com o pedido de Adriana Ancelmo para que o apartamento em que morava o casal seja liberado, já que pretende viver lá com o novo marido.

 Boa ideia

O historiador Daniel Marques, assíduo leitor desta coluna, sugere que os inacreditáveis R$ 2 bilhões destinados à campanha eleitoral sejam usados no combate ao coronavírus. Este colunista assina em baixo.

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Chega de coronavírus

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Trump proibiu a entrada nos EUA de passageiros da União Europeia, declarou estado de emergência, liberou US$ 50 bilhões para que cidades e estados combatam o coronavírus, o Federal Reserve Bank lançará US$ 1,5 trilhão para enfrentar os problemas econômicos trazidos pela pandemia.

O primeiro-ministro israelense Netanyahu fechou as fronteiras do país: de onde quer que venha, o viajante terá de passar por 14 dias de quarentena e convidou o principal líder da oposição, Benny Gantz, para um governo de união nacional para combater o coronavírus. E Netanyahu teve de disputar três eleições contra Gantz (duas delas empatadas) para manter-se no poder.

Argentina e Bolívia proibiram voos provenientes da Europa. Em todos os casos, o objetivo é reduzir o risco de entrada de novos contaminados.

No Brasil, o navio de turismo italiano MSC Fantasia, o segundo maior a operar no país, com capacidade para 5.700 passageiros, atracou nesta sexta em Maceió. O governador alagoano Renan Filho proibiu os passageiros de passear na cidade. Mas os passageiros foram passear. “Passeios curtos”, dizem as empresas de turismo receptivo. Mas Renan Filho age como se houvesse proibição: diz que os pacotes de passeios no Estado foram suspensos e suspensos ficarão.

 Algo mais?

Orlando, nos Estados Unidos, fechou os parques temáticos, sua principal atração turística. Aqui, o presidente Bolsonaro disse que o coronavírus era superestimado pela imprensa – e só aceitou a existência da pandemia quando seu secretário da Comunicação, Fábio Wajngarten, foi contaminado. Por isso o presidente decidiu fazer o teste, que deu negativo – ainda bem.

Mas mesmo assim houve confusão: a Fox News, ligadíssima a Trump, disse que Eduardo Bolsonaro havia informado que o pai tinha contraído o vírus. Eduardo nega, põe a culpa nos horrendos jornalistas, mas a Fox confirma: disse, sim. A Fox pertence a Rupert Murdoch, direita total. Deve achar Bolsonaro meio petista.

 E a economia?

Trump disse que salvará as empresas americanas feridas pela pandemia (imagine uma empresa aérea, pagando aluguel de aviões, pagando lugar nos aeroportos, proibida de voar para seu principal destino). No Brasil, quais os planos para enfrentar a crise? Paulo Guedes, no Congresso, foi raso, causou decepção – não por anunciar medidas que talvez não funcionassem, mas por praticamente não anunciar nada. Disse (e tem razão) que é preciso aprovar rapidamente as reformas. OK, como diria o presidente. Mas a reforma administrativa está nas mãos de Bolsonaro há quase quatro meses, a reforma tributária nem está proposta, e além disso, mesmo aprovadas exatamente como o Governo quiser, mesmo que sejam ótimas, não terão efeito imediato.

Até lá, como evitar a quebra das empresas atingidas pela crise? Será liberada em abril a metade do 13º, uma tentativa de manter o consumo aquecido até que a epidemia se esgote. Fala-se em gastar R$ 5,1 bilhões no combate ao coronavírus. Mas ainda procuram onde achar esse dinheiro.

 Mudança à vista

O general Luiz Eduardo Ramos, secretário do Governo, está em baixa: foi quem negociou com o Congresso aqueles R$ 30 bilhões do Orçamento. Não agiu sozinho: Bolsonaro aprovou a negociação. Mas, em seguida, voltou-se contra ela e chegou a apoiar a manifestação que deveria ocorrer hoje. Enfim, os parlamentares não confiam mais no general, não por duvidar de sua palavra, mas por achar que não tem força junto ao presidente para mantê-la.

Já se falava em tirá-lo. E agora há um bom motivo para a substituição: um velho amigo de Bolsonaro, o deputado Alberto Fraga, líder máximo da Bancada da Bala, foi absolvido num processo e, inocentado, gostaria de estar ao lado do Cavalão – apelido carinhoso que dá ao presidente, Aliás, gostaria mesmo de estar na Secretaria do Governo, a do general Luiz Eduardo Ramos.

 Atenção

Presos em Brasília, dirigentes do PCC, o Primeiro Comando da Capital, ameaçam entrar em greve de fome para protestar contra a quantidade e a qualidade da comida que lhes é servida. O principal líder do PCC, Marcola, está lá, mas dizem que é contra a greve de fome. O problema é que ocorreu algo semelhante em São Paulo, no Governo de Cláudio Lembo, quando o PCC se rebelou e mandou matar policiais nas ruas. Teme-se nova rebelião.

 Viva a Globo

O PT e partidos que gravitam ao redor detestam a Globo, que chamam de Globolixo e outros nomes pouco educados. Agora, dizem que a Globo nada divulgou sobre manifestações pelo 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O presidente Bolsonaro e militantes que gravitam ao redor detestam a Globo, que chamam de Globolixo e outros nomes pouco educados. Acusam a Globo de dizer que o presidente havia convocado a marcha de hoje (que depois suspendeu). Se os dois lados a criticam, a Globo deve estar sendo imparcial.

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A política do petróleo

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 A Arábia Saudita pediu à Rússia que reduzisse a produção de petróleo, já que a China diminuiu as compras e o preço iria cair. A Rússia recusou. E os sauditas reagiram duro: reduziram o preço do petróleo em 30% e anunciaram o aumento da produção em quase três milhões de barris por dia. Mas, além de mostrar a força econômica, os sauditas têm também um objetivo político.

A derrubada do preço do petróleo atinge pesadamente o Irã, inimigo dos sauditas. Sufocado por imensas despesas militares, as finanças sofrendo com o embargo americano, o Irã depende de vendas de petróleo no varejo. Não tem como suportar a queda dos preços. A Venezuela também terá problemas sérios (e, embora não seja exatamente inimiga dos sauditas, é amiga do Irã). A Rússia, que apoia o Irã, protege o regime sírio (mal visto pela Arábia Saudita) e bombardeia grupos armados ligados de alguma forma aos sauditas, não vai falir por causa da queda do petróleo, mas terá grandes prejuízos. Talvez aprenda que, em petróleo, os sauditas são os mestres.

Os americanos também têm perdas – a produção de shale oil, o petróleo de xisto, fica inviável. Mas as usinas não são tão caras, podem ficar paradas até que o negócio volte a valer a pena. E os Estados Unidos, enquanto isso, podem importar petróleo barato e até crescer na crise (a menos que os vírus o impeçam).

Os Estados Unidos são o maior aliado mundial dos sauditas. Já o Brasil… de acordo com nosso Governo, não existe crise, apenas fantasia.

 Marolinha e fantasia

A última grande crise econômica mundial foi chamada pelo então presidente Lula de “marolinha”. Até hoje pagamos os custos da marolinha. A atual crise é chamada pelo presidente Bolsonaro de “fantasia”. A fantasia fez com que a Bolsa recuasse aos índices anteriores à sua posse. O dólar bate recordes. O valor das empresas cotadas em Bolsa se reduziu em quase meio trilhão de reais (embora não haja perda real para quem tiver condições de manter as ações, sem vendê-las às pressas, esperando que voltem ao normal).

Bolsonaro também diz que a questão do coronavírus não é tudo que a grande mídia propaga. Se tiver razão, a Universidade Harvard é dirigida por malucos que suspenderam as aulas por causa do noticiário da imprensa sobre o coronavírus. O caríssimo futebol europeu é dirigido por idiotas que, por causa da imprensa, perdem dinheiro jogando em estádios sem torcida. Os israelenses são dirigidos por irresponsáveis que, acreditando na imprensa, impuseram isolamento de 14 dias a visitantes de qualquer parte do mundo.

Bolsonaro tem certeza do que diz, tanto que convoca manifestação em todo o país em que milhares de pessoas poderão se expor ao coronavírus.

 Muy amigo

Trump convidou Bolsonaro para jantar em seu resort de Mar-a-Lago, na Florida, uma beleza cinco-estrelas – e, mais importante, numa propriedade de Trump, algo pessoal, informal, não burocrático. Trump chamou Bolsonaro de “bom amigo”, “que está fazendo um trabalho fantástico”, garantiu que os Estados Unidos sempre “ajudarão o Brasil”, que as relações entre os dois países estão em excelente momento. Mas não quis se comprometer a evitar o aumento de tarifas sobre importações de aço e alumínio brasileiros. “Não faço nenhuma promessa”.

Tudo bem: promessas são sempre boas, agradáveis, simpáticas, desde que não se acredite nelas.

Racismo, não

Houve quem acreditasse que usando perfis falsos na Internet poderia fazer o que quisesse. Duas pessoas que acreditaram nisso, e usaram perfis falsos para agredir na Internet a jornalista Maria Júlia (Maju) Coutinho, da Rede Globo, acabam de ser condenados. Ambos fizeram ataques racistas contra Maju. Foram identificados, processados e sentenciados. Érico Monteiro dos Santos foi condenado a seis anos de prisão e Rogério Wagner Castor Sales a cinco, ambas as penas em regime semiaberto. O juiz Eduardo Pereira Santos Jr., da 5ª Vara Criminal, de São Paulo, condenou-os também por corrupção de menores, por terem levado três adolescentes a cometer o mesmo crime.

Os crimes

O juiz, citado pelo ótimo portal Consultor Jurídico, concluiu que ambos cometeram crimes de racismo e injúria racial. “O racismo, no caso, deu-se em sua forma qualificada, eis que as frases de ódio racial e de cor foram publicadas na página virtual do Jornal Nacional da Rede Globo, ou seja, em ambiente de amplo acesso ao público. Está caracterizado também o crime de injúria racial”. Duas outras pessoas foram absolvidas por falta de provas. Os condenados podem recorrer da sentença em liberdade.

 Boa notícia

Lembra-se dos tempos de Jayme Lerner, em que Curitiba se transformou em símbolo de cidade bem administrada? Pois bem: um dos seus assessores mais próximos sai candidato a vereador pelo PDT curitibano, e com apoio formal de Lerner. Se votasse lá, este colunista votaria em Gerson Guelmann.

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​De toga e batom

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Há 103 anos, mulheres indignadas com os preços altos, o desemprego, o desabastecimento e a piora das condições de vida na Rússia imperial fizeram uma grande passeata. Operários homens se juntaram a elas, num protesto que a Polícia não conseguiu reprimir. Foram dias de manifestação – uma prévia do que seria a Revolução russa de 1917, que derrubou o czar. E a data é relembrada no Dia Internacional da Mulher, sempre em 8 de março.

As coisas estão mudando, não em todo o mundo (ainda há países onde as mulheres não podem sair à rua sem a companhia de um homem da família), mas no mundo civilizado. Aquela força rebelde das mulheres russas indignadas e inconformadas já se estende à estrutura formal de poder.

A partir de agora, há mais advogadas que advogados no Rio Grande do Sul. Segundo o ótimo portal jurídico Espaço Vital, já há 43.579 advogadas para 42.810 advogados. Há ministras no STF brasileiro. Nos EUA, Nancy Pelosi é a poderosa presidente da Câmara dos Deputados. A primeira-ministra da Islândia chefia um governo de muitas mulheres; a pessoa com mais poder na Europa é a primeira-ministra alemã Angela Merkel.  Índia e Israel tiveram primeiras-ministras, ambas comandaram guerras vitoriosas e são sempre lembradas. Hillary Clinton por pouco não se elegeu presidente dos EUA – teve mais votos que Trump, mas perdeu na soma dos delegados. Leva tempo – mas a conquista da igualdade pelas mulheres é inevitável.

Ouro e brilhantes – o retorno

A Suíça devolveu ao Brasil 4,5 kg de ouro e 27 brilhantes lá depositados pelo esquema do ex-governador Sérgio Cabral, hoje preso. A existência e a localização do tesouro foram reveladas por dois dos responsáveis pela ocultação dos bens do grupo, que fizeram acordo de delação premiada.

No total, os delatores levaram o Ministério Público a recuperar algo como US$ 100 milhões de Sérgio Cabral entregues a eles para ocultação. O ouro e os brilhantes estão avaliados em R$ 20 milhões.

Apartamento – o retorno

Nota na coluna de Ancelmo Góis, O Globo, dia 6: “A advogada Adriana Ancelmo pediu de volta o apartamento da rua Aristides Espínola, onde ela morou com Sergio Cabral, que tinha sido alugado. Metade dos aluguéis vai para ela, a outra metade é depositada em favor da 7ª Vara Criminal Federal, por decisão do juiz. Ela pretende morar lá com o novo namorado.

“Aliás, Adriana não é legalmente casada com o ex-governador. Quando eles brigaram, em 2011, divorciaram e nunca voltaram a casar”.

Vivo ou morto

Mais uma citação do Espaço Vital (www.espacovital.com.br): o advogado carioca Michel Assef, 75 anos, esteve na semana passada numa agência da Caixa Econômica Federal do Rio, para fazer prova de vida (exigência do INSS). Provou que estava vivo, recebeu o comprovante, e foi para casa. Dias depois, recebeu aviso da Caixa avisando que, como no ano anterior ele não tinha feito a prova de vida, teria de comprovar com documentos que estava vivo em 2019. Estar vivo em 2020, para os burocratas, não prova que estava vivo um ano antes.

A propósito, a reforma administrativa sai ou não sai?

Lombo dolorido

O Impostômetro colocado pela Associação Comercial de São Paulo no centro da cidade alcançou R$ 500 bilhões no dia 6. O valor dos impostos, contribuições, multas e taxas foi alcançado três dias antes que no ano anterior. O dinheiro retirado do bolso dos cidadãos também saiu alguns dias mais cedo. O economista Emílio Alfieri, da ACSP, sustenta que essa notícia pode ser positiva: como as alíquotas não subiram, indica uma recuperação  da economia – lenta, mas em alta. O déficit público também caiu, de 1,2% para 0,7%. “Antes”, diz Alfieri, “aumentava a arrecadação, mas o Governo gastava mais, e o déficit crescia. Agora a receita aumenta e o gasto cai. Isso mostra que a política econômica está no rumo certo”.

Menos bagunça

O economista da Associação Comercial lembra, porém, que a retomada do desenvolvimento poderia ser maior se as reformas já estivessem feitas. Esperemos: as reformas administrativa e tributária continuam paradas. E a cada crise dessas a que nos habituamos faz com que a demora aumente.

Boa notícia

No Governo Bolsonaro, a quantidade de cartões corporativos em uso caiu de 6.100 (com Dilma) para 1.666 – quase 75% a menos.  Os gastos da Presidência da República com os cartões corporativos, que chegaram ao recorde de R$ 80 milhões em 2010, último ano do Governo Lula, e ficaram na média de R$ 60,2 milhões por ano no Governo Dilma, já não caíram tanto: de acordo com o colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) os gastos estão hoje em R$ 52 milhões anuais, a mesma média registrada no Governo Michel Temer. 

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​Basta de sujeira

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Juscelino Kubitschek, presidente da República, tentou cassar o mandato de Carlos Lacerda, o temível orador oposicionista. Este colunista ouvia os duelos entre Carlos Lacerda e o baiano Vieira de Mello pelo rádio de ondas curtas. Valia a pena, apesar do som horroroso. Adhemar de Barros e Jânio Quadros eram, mais que adversários, inimigos; insultavam-se em discursos. Jânio chamou Adhemar de "rato". Lacerda duelou com o temível Leonel Brizola e com o presidente Castello Branco – de quem disse que era mais feio por dentro do que por fora. Brizola, duro adversário político do grande senador Paulo Brossard, chamava-o de "Ruy Barbosa em compota".

São mais de cinquenta anos de história, com adversários bons de briga, até com ameaças de morte. Mas, nesse tempo todo, ninguém tocou na família do adversário, ou do inimigo. O adversário era uma pessoa a ser combatida, mas sem chamar ao picadeiro sua esposa e seus filhos. As ideias podiam ser destruídas, mas o tema era política. O Estado de S.Paulo, que não suportava Adhemar de Barros, se referiu à sua esposa, Leonor Mendes de Barros, como "senhora de peregrinas virtudes" - um elogio e tanto.

Não dá para aceitar que, para atacar Bolsonaro, falem de sua esposa. Ataquem-no - a ele. Quem governa é ele, não ela. O relacionamento entre ambos não é tema de debate público. Quem faz jogo tão sujo aonde quer chegar? Política é cruel, mas como tudo na vida tem de ter um limite ético.

Lula lá

Duas ondas seguidas de indignação: primeiro, com o papa Francisco, por ter recebido em audiência o ex-presidente Lula; segundo, com a prefeita de Paris, por ter outorgado a Lula o título de Cidadão Honorário. Certo, Lula foi condenado pela Justiça brasileira. E daí? O papa é monarca do Estado do Vaticano, tem todo o direito de receber quem quiser. E, sendo também um líder espiritual, tem a tarefa de oferecer consolo aos aflitos. Não é questão de merecimento: é missão de vida. Daí a achar que o papa é comunista, como vimos em tantos protestos, vai uma certa distância. A Igreja é mais antiga que Marx, sobreviveu ao comunismo e tem, ao lado do papa, um sólido grupo de assessores católicos altamente preparados. Quanto à prefeita de Paris, é socialista. Não ofendeu o Brasil: festejou o correligionário. Algo que o PT fez com Césare Battisti: deu-lhe proteção, sem intenção de ofender a Itália.

Reação brasileira

Com todos os problemas da economia internacional nesses tempos de coronavirus, a balança comercial brasileira foi excepcionalmente bem em fevereiro: exportamos quase US$ 3,1 bilhão além do que importamos. É o 3º maior superávit comercial de fevereiro dos últimos 31 anos. Se é verdade que os problemas chineses reduziram as importações de lá, reduziram também as exportações para lá. Melhor: em janeiro houve déficit e o Brasil reagiu sem estímulos artificiais ou medidas econômicas de emergência.

Reação italiana

A Itália decidiu injetar € 3,6 bilhões (pouco mais de R$ 18 bilhões) para combater o impacto econômico do coronavirus. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Roberto Gualtieri. A Itália é o país europeu com mais casos de pessoas infectadas pelo coronavirus.

Agora vai!

Lembra-se do "Meu nome é Enéas"? O partido de Enéas Carneiro, o Prona, fundiu-se após a morte de seu líder com o Partido Liberal, PL, dando origem ao PR, Partido da República, de Valdemar Costa Neto. Pois um companheiro de Enéas, o ex-deputado federal Elimar Damasceno, quer recriar o Prona, "que atuará como grande reforço do Governo Bolsonaro". Como será seu slogan? "Meu nome é Elimar Damasceno" fica estranho.

Uma dica: a dra. Havanir Nimtz ("Meu nome é Havanir") está no PRTB, partido de Levy Fidélix, o do aerotrem.

Razão para quem tem

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, tem toda a razão ao culpar parte da população, que joga lixo nas ruas e nos córregos, pelo agravamento das enchentes no Rio (isso vale também para outras cidades). Mas há algumas perguntas a que Crivella poderia responder: a primeira, por que uma parte da população joga lixo em lugares inadequados? Não seria por falta de lugares adequados e de coleta adequada? Segunda, por que, durante seu mandato, não foi aplicado R$ 1,2 bilhão, previsto em orçamento, para contenção de enchentes? Há mais algumas coisas: como disse Crivella, a família vai para uma área de risco e quer ficar o mais perto possível do córrego, para gastar menos com os tubos que levarão seus dejetos à água. Talvez isso ocorra por falta de um sistema de coleta e tratamento de esgotos. E quem autoriza, ou deixa de proibir, casas em lugares perigosos? Não seria a Prefeitura, a própria? Ao omitir-se, não se coloca como cúmplice dos danos das chuvas?

A propósito, já se descobriu o que andava contaminando a água do Rio?

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