Sabesp: projeto de Franca de economia circular cria novo paradigma para ETE

  • Hélio Rodrigues
  • Publicado em 9 de abril de 2020 às 11:39
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:35
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Técnicos analisam projeto de economia circular na Estação de Tratamento de Esgotos de Franca

Estação de Tratamento de Esgotos

O projeto de economia circular na Estação de Tratamento de Esgotos de Franca da Sabesp consiste em uma implantação sequencial de ações integradas para as fases líquida, sólida e gasosa do processo.

O objetivo é de otimizar os processos existentes e transformar a planta de uma geradora de resíduos em uma estação de recuperação de recursos, propiciando benefícios sociais, operacionais, financeiros e ambientais.

Este projeto de economia circular foi iniciado com um diagnóstico dos processos existentes, sempre sob a óptica sistêmica dos processos integrados. 

Em paralelo, foi feito a prospecção tecnológica das principais soluções utilizadas em projetos de economia circular.

Como resultado da concepção para o projeto, foi implantado um sistema de beneficiamento de biogás para produção de biometano para uso veicular.

Também uma estufa para reduzir o teor de umidade do lodo para minimizar os custos com transporte e disposição final, bem como a adequação do sistema de produção de água de reuso.

Com a consolidação de soluções prospectadas, iniciou-se a contratação de um sistema de geração de energia elétrica, por meio de uma turbina hidráulica, para aproveitar o potencial hidroelétrico residual existente no lançamento dos efluentes finais da ETE até o corpo d’água.

O passo seguinte é a implantação da hidrólise para otimizar a produção do biogás e transformar o lodo em um produto apto para o uso agrícola, com características que facilite o deságue, reduzindo os custos de transporte e disposição. 

Para viabilizar a implantação da hidrolise será necessária a adoção de sistemas de cogeração de energia térmica e elétrica, que alimentará a hidrólise e equipamentos existentes na planta. 

Para aproveitar todos os recursos da planta, a geração de energia sustentável, como fotovoltaica e eólica, é a última etapa do projeto de economia circular.

Frota movida a gás metano, produzido na Estação de Tratamento de Esgotos

Este é um projeto que propiciará mudança de paradigma na forma de projetar as estações de tratamento de esgoto, pois estas deverão apresentar soluções integradas e otimizadas para as três principais fases do processo: fases líquida, sólida e gasosa, gerando produtos incrementais de alto valor agregado.

As etapas já implementadas do projeto de economia circular na ETE de Franca apresentam importantes resultados para o setor de saneamento.

Testes foram realizados na frota interna da companhia, em um ônibus Scania movido a gás natural, bem como em um automóvel a gás fabricado pela Audi. Os resultados mostram eficiência e eficácia do biometano da ETE.

Os resultados complementares envolvem substituição de combustíveis fósseis por energia limpa; redução da pegada de carbono e da emissão de gases de efeito estufa; capacitação de mão de obra técnica e operacional no Brasil

Também faz parte a obtenção do biometano de esgotos como um novo combustível na matriz energética; e disseminação do conhecimento ao setor de saneamento, como uma nova proposta de gestão para a eficiência do setor.

No médio e longo prazo, as etapas sucessivas planejadas de implementação do projeto de Economia Circular na ETE de Franca permitirão produzir condicionantes de solo e fertilizantes para uso agrícola, água de reuso, geração de energia elétrica e térmica.

Autores: Fabiana Rorato de Lacerda Prado, gerente de departamento;
Marcelo Kenji Miki, gerente de departamento; Silvio Renato Siqueira, engenheiro especialista; Cristina Knorich Zuffo, superintendente de PDI; Francisco Correa Ramos Junior, engenheiro especialista; Bruno Sidnei da Silva, engenheiro especialista; Luiz Yoshiharu Ito, engenheiro especialista; Luciano Riami, gerente da ETE de Franca; João Comparini, engenheiro especialista, Gilson S. Mendonça e Rosane Erbert Miki, engenheiro especialista